Abril, mês de abril
Ela abriu os lábios dela
E eu num desvio de órbita
Fui ser cometa nela
Agora eu vivo pelo céu dela
Vivo por ela
Vivo pelo céu dela
Vivo pra ela
Por plutão coração
Pela nebulosa alma
Pelos astros, olhos radiantes,
brilhantes,
Eu vago pelo espaço dela
Vago por ela
Eu cruzo o universo dela
Cruzo com ela
Pelas nádegas lunar
Por seio alfa, seio beta
Por todo seu corpo celestial
Eu vou...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
MONSTRO DA PAIXÃO!
Voe meu monstro,
desorientado de paixão.
Ao céu cinzento,
Sob tuas garras, leve de mim
o mal com o qual te alimento.
Mas não vá longe,
não tão longe assim,
Se me ocorrer fraqueza,
Te quero monstro
outra vez dentro de mim!
Pachelly Jamacaru
desorientado de paixão.
Ao céu cinzento,
Sob tuas garras, leve de mim
o mal com o qual te alimento.
Mas não vá longe,
não tão longe assim,
Se me ocorrer fraqueza,
Te quero monstro
outra vez dentro de mim!
Pachelly Jamacaru
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
BANHO E AMOR
Marquei encontro com ela
Nas águas correntes do velho Jaguaribe,
Pra falar das coisas simples do mundo,
Do mundo da gente,
Estava por lá, ocidental, onipresente,
Vermelho-laranja, monossilábico,
A silenciosa majestade poente.
O rio cantava triste
Parecia canto de gente,
Melodiando o crepúsculo,
Mundial dos homens,
Desobedientes homens e nós...
Línguas d’águas, linguagens das línguas,
Banho e amor
Sertão, ser tão, mundo aquatroz.
Uma anã no firmamento sentenciava a tarde,
Serpenteando alpondras, buscador do mar,
Desliza o velho Jaguar na idade do quase lobo,
Desnudos, serpenteei-lhe,
Palavras vãs na hora do desaguar.
Marquei encontro com ela,
Nos encontramos no gozo!
Pachelly Jamacaru
(musicada)
Nas águas correntes do velho Jaguaribe,
Pra falar das coisas simples do mundo,
Do mundo da gente,
Estava por lá, ocidental, onipresente,
Vermelho-laranja, monossilábico,
A silenciosa majestade poente.
O rio cantava triste
Parecia canto de gente,
Melodiando o crepúsculo,
Mundial dos homens,
Desobedientes homens e nós...
Línguas d’águas, linguagens das línguas,
Banho e amor
Sertão, ser tão, mundo aquatroz.
Uma anã no firmamento sentenciava a tarde,
Serpenteando alpondras, buscador do mar,
Desliza o velho Jaguar na idade do quase lobo,
Desnudos, serpenteei-lhe,
Palavras vãs na hora do desaguar.
Marquei encontro com ela,
Nos encontramos no gozo!
Pachelly Jamacaru
(musicada)
sábado, 3 de janeiro de 2009
UMA CRIANÇA DE BARBA LONGA
Caem folhas de mim,
homem outonal.
O que a vida me viveu,
são páginas viradas, desfolhadas...
Já fui verão incendiado de mocidade.
Inverno de amores vãos e afins...
Chamei-me primavera,
havia uma criança colorida em mim
que o tempo brincou de esconder
nas sondas de uma barba longa,
para só depois de muitas folhas caídas,
a floração me devolver!
Pachelly Jamacaru
......................................
homem outonal.
O que a vida me viveu,
são páginas viradas, desfolhadas...
Já fui verão incendiado de mocidade.
Inverno de amores vãos e afins...
Chamei-me primavera,
havia uma criança colorida em mim
que o tempo brincou de esconder
nas sondas de uma barba longa,
para só depois de muitas folhas caídas,
a floração me devolver!
Pachelly Jamacaru
......................................
domingo, 21 de dezembro de 2008
NOME E SOBRENOME
Com o coração partido vou,
Mas se é preciso, vou...
Muito mais, preciso sair de você pra mim.
Sei que uma tempestade de saudade
Vai cair sobre nós,
Vejo nimbos no horizonte,
Mas não há outra saída
Que esse amor aponte.
Palavras impensadas,
Decisões mal tomadas,
São como que colunas
Nas mãos de Sansão,
É ver todo império do amor ruir.
Pedras sobre pedras, perdas!
Escombros do que fomos.
E, se restar algum vestígio nas paredes do tempo,
Será o seu nome sem o meu sobrenome.
Pachelly Jamacaru
"Musicada"
Mas se é preciso, vou...
Muito mais, preciso sair de você pra mim.
Sei que uma tempestade de saudade
Vai cair sobre nós,
Vejo nimbos no horizonte,
Mas não há outra saída
Que esse amor aponte.
Palavras impensadas,
Decisões mal tomadas,
São como que colunas
Nas mãos de Sansão,
É ver todo império do amor ruir.
Pedras sobre pedras, perdas!
Escombros do que fomos.
E, se restar algum vestígio nas paredes do tempo,
Será o seu nome sem o meu sobrenome.
Pachelly Jamacaru
"Musicada"
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
FOTOPOEMA, 26 nov 2008

LEMBRANÇAS DE UM ERRANTE
Às vezes me pego a lembrar lugares
Por onde me deixei andar.
Uns remotos, onde o vento acurva.
Outros logo ali, onde se desfaz.
Passaram por mim,
Rostos os quais nunca mais verei.
Guardei-os em mim e para eles me deixei...
Em algumas paragens bebi água.
Água boa, dormida. Água de quartinha!
Fui um estranho para estranhos,
Mas, de palavras me vali
Com a água bebida num só gole, matei a sede,
A de ser do ser e a de não ser tão só,
Bebi a simplicidade da gente conheci.
Errante, vaguei por cidades, vilarejos,
BR’s e rodagens, onde os cruzeiros à margem,
Contém um asterisco e um sinal de mais...
Já estão noutra jornada os que não voltarão jamais.
Vi casebres. Nas portas, pintada uma cruz,
Estão protegidas as moradas onde mora o salvador Jesus!
Um dia a lembrar lugares,
Recordo ter visto o tempo,
A passos esmos...
Largado do amor dos homens.
Dera com os brancos sua barba longa,
Esquecida de cortar.
Mas lembrava um mapa, um guiar,
O rosto daquele senhor!
E eu me vi com um cajado,
Um saco abarrotado de estórias,
Um caneco de beber saudades,
Trajando as vestes do tempo,
Esquecido de ser lembrado.
Foto e poesia: Pachelly J.
"Direito reservados"
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
POESIAS...
ARMADILHA,
Treinei meu coração
Para não morrer de amor,
Não se entregar total,
Pra saber jogar, pra nunca perder,
Mas, fazer de conta que perdido está!
Pra fingir, encenar, trapacear,
Para apaixonar...
Adestrei meu coração,
Para não obedecer aos comandos da paixão.
Ensinei pulo de gato, ser uma muralha,
Uma fortaleza frente uma invasão sentimental,
Para ser um pecador e não se arrepender
Que será salvo por cada maçã que morder!
Só não falei dos ventos... Que mudam de direção!
Que a caça tem seu dia.
De feitiço contra feiticeiro,
De um dia atrás do outro,
Que a armadilha pega os desavisados
E o descuidado do avisado também!
Só não falei pra mim que,
O vírus da paixão, não reconhece um vacinado,
Segredo de ninguém!
Pachelly Jamacaru
........................
O QUE DE CERTO CADA UM TEM!
O rio tem um romantismo que lhe é próprio,
E que o mar não tem, as montanhas não tem,
As pradarias não, o deserto não.
A estar no mar, estou a dizer;
O mar, tem o sal da vida que o rio não tem,
As montanhas não, as pradarias , o deserto...
A estar nas montanhas estou a dizer;
As montanhas têm uma paz de espírito que lhe é própria,
E, que só ela tem.
Nas pradarias, estou a dizer;
As pradarias têm o que tem, que o rio não,
As montanhas não, o mar e o deserto não têm!
A estar no deserto, falo de solidão...
A estar com Clarice, penso no que Alice não,
Maria sim, Helena talvez, Ana Bela de quando em vez...
Procuro em cada uma,
Um rio, um mar, as montanhas, as pradarias e o deserto,
Que de certo cada um tem!
Pachelly Jamacaru
...........................
NUNCA, JAMAIS...
Se a rede de arrasto não trouxer o alimento,
Se o canto não se faz ouvir,
Se o cavalo selvagem se opuser a montaria,
Se por um momento, o sonho não acontecer
Se contudo, tudo te deixa cabisbaixo e mudo,
Lembre-se ainda, o silêncio quer ouvir você.
Do contrario,
Não finja não ser com você,
Se a felicidade lhe piscar o olho!
Jogue outra vez a rede,
Dome o cavalo,
Alimente o sonho, cante outra vez.
Faça do nada, tudo acontecer!
Mas nunca, jamais diga que a vida é feia,
Só porque não está bela pra você!
Pachelly Jamacaru
..............................
ARTEIRO,
O homem-poeta, é feito menino!
Traquino dana-se pelas ruas,
Fazendo artes...
Aqui e acolá, apronta uma...
Ou, outra; poesia!
O poeta,
É feito um homem feito menino arteiro!
Pachelly Jamacaru
.................................
O PEQUÍ
Certa vez, ninguém disse assim...
Certa vez de ninguém se ouviu o dizer...
“O Pequi, não mata a fome”,
A fome, “é que se mata diante dele”.
Palavras da salvação!
Bendito és o fruto que és,
Aonde a pé se vai aos pés,
Quando ainda a flor bela nas alturas,
Em romarias as abelhas vão...
Quando se quer dar,
Quedas ao chão,
E aí, vão os homens em procissão!
De dezembro a fevereiro,
Quando reboam os trovões
E o céu desce a terra espargindo o aguaceiro,
Dá gosto ver na floresta,
Teresa e outros nomes brejeiros
Que ora me fogem a lembrança,
Na maior lambuzança, de colheita em festa!
Não é do rico, nem do pobre,
O que é para o rico, é para o pobre!
Oh! Fruto da concórdia que vergas os teus galhos
Indiferente ao credo de quem te aprecia!
Na Baixa-rasa eneblinada, oração e aboio...
Ides pois, oh, verdinho, aromatizai a mesa dos justos,
Abundantes sejam pequis que rôo!
Pachelly Jamacaru
..........................................
RIOS, IMAGINÁRIOS RIOS...
Pedras de rios,
Por um rio me apaixonei,
Por rios me deixei levar!
Com que sonha um rio?
Encontrar um mar que for
Eu me fiz de um
Em busca de um mar de amor!
Rios navegáveis, imaginários,
N’águas passadas mundo desaguou.
Rio de mim mesmo,
da verdade do que sou.
Ame o rio e por ele se deixe banhar,
Lave a alma,
Roupa suja, não se lavar por lá!
De onde nasce até aonde o homem o deixa ir,
Quando segredo guarda um rio do seu existir!
Um rio que o homem mate,
Quando der por falta, tarde será,
Há rios rasos, outros pra se aprofundar!
Mas há um rio além,
Se você acredita que há,
Na outra margem peixes anjos a nadar,
Cante o rio e por ele se deixe levar...
Pachelly Jamacaru
.............................................
INSÔNIA.
A madrugada acordou em mim.
Meus olhos, ping-pongueiam de um lado para o outro.
Seria ânsia, idade?
Galos, oh! Desorientados pavoroteiam,
Irrompendo o silêncio com suas óperas!
Porque não há relógios nas paredes do céu?
Hoje, as carruagens de fogo não cruzaram o fundo do mar!
As fadas não colheram cajus em meu quintal!
A Gisele não tocou a campanhia, com isso,
Não rubriquei os lençóis em devaneios Domjuânicos.
A madrugada acordou em mim e,
O pesadelo fora de aviões bombardeando
Os subterrâneos da minha alma!
Autoretrateio-me, sob a luz azul da lua do criador
E a amarelo queimado de um lampião Rayo-Vac,
Da indústria moderna dos homens!
Na fotografia entre paredes e grades não reclamo
Da liberdade, da minha sugestiva nudez, estou puro!
Minha cama pegou no sono e dorme na minha ausência!
São 2.40hs Am, de um dia qualquer no calendário cristão.
É incrível como a noite escreve poemas... e, os poetas assinam!
Pachelly Jamacaru
.......................................
PRIMA FAUNA MANA FLORA
Javali de cerâmica com olhos de paetês
Numa arte industrial, explícito, cômodo de ver!
Meu pai caçador, Mal transmortal,
Volta pra casa com o animal abatido
E eu já não tenho porque,
Eu já não vejo por que
Nas férias ir ao Pantanal,
Dói-me n’alma cantar a fauna morta,
Imagine, quando um cartão postal!
Samambaia de plástico, nem arte, nem viver!
Triste é cultivar o que não se agôa!
Oh mãe das mães, ó mãe, ó mãe!
Guardai os filhos de hoje de um futuro imbecil
Regai com luz o Brasil,
Os florais trópicos em tempo hábil,
Para que vinguem as sementes,
Pra que nunca de nós a natureza se ausente!
Oh fauna, oh fauna,
Oh flora, oh flora,
Por ti o globo chora
Ante o avanço irracional.
Pachelly Jamacaru
"MUSICADA"
.................................
MACATU MMIV d.c
Não seja tarde perceber
Não ser brincadeira não
O planeta tem resposta
Pra cada provocação.
O paradoxo da inteligência
É o excesso de sabedoria
É saber demais
Mas, não saber o que devia.
Pagamos pela gana
Por idolatria ao viu Q.I.
Por tudo mais a mais que tudo
Temos ou não direito a ir vir
Até quando?
Porque ser assim?
A pergunta que não cala em mim.
Porque ser assim?
Até quando?
Meu menor quer saber de mim.
Sob o prisma da modernidade
Um mundo cão é vivido
O homem hostil, beligerante,
Quer vê-lo destruído
A insustentável leveza do poder
Cria um mundo de submundos
Como ser feliz se o homem não quer
O homem não quis.
O espaço aéreo é patrulhado
O mar aberto é controlado
As fronteiras entrincheiradas
Somos ou não cidadãos do mundo?
Tanta ciência, tanta cultura,
Tanta tecnologia,
Muita crença, filosofia,
Para o mundo da no que dá
Para o mundo ta no que ta!
Pacelly Jamacaru
"Musicada"
........................
MUDANÇA
Foi que acordei mais cedo
E resolvi mudar o mundo.
De cara, esvaziei o velho armário do ego,
Abarrotado de ledos sonhos...
Como o de esperar
Que as coisas mudem por si
A vida em si tudo em volta, a história,
Sem que eu não!
Foi preciso me desconhecer
Não me reconhecer para me re-procurar!
Tantas são as coisas simples ao nosso redor
E a gente fica a pegar foguetes
Como se lá em cima
Onde os sonhos não alcançam
Estivessem, todos e tudo que aqui em baixo está!
Por baixo, mas,dando volta por cima!
Pachelly Jamacaru
"musicada"
..............................
PEDRO E PAULO
Dois meninos
Jogavam bola com a bola do mundo,
Dois meninos,
Jogados na bola do mundo.
Um era Pedro,
O outro seu nome era Paulo.
Pedro e Paulo
Chutavam tampas coloridas
E entre tantas, as tampas eram suas vidas,
Jogadas na jogada do mundo.
No País da cerveja e do futebol,
Jogam meninos às ruas,
Vidas, tampas, latas de Skoll!
Pachelly jamacaru
"Musicada"
.............................
LUA, LUA.
Lua, lua
Um foguete por aí vai passar
A cruzar o espaço
Movido à dor do mundo
O infinito tentará
Branca lua
Não o deixe em ti pousar
Que imundo é o seu combustível
E atua roupinha branca lua,
Branca não ficará!
Pachelly Jamacaru
"Musicada"
Treinei meu coração
Para não morrer de amor,
Não se entregar total,
Pra saber jogar, pra nunca perder,
Mas, fazer de conta que perdido está!
Pra fingir, encenar, trapacear,
Para apaixonar...
Adestrei meu coração,
Para não obedecer aos comandos da paixão.
Ensinei pulo de gato, ser uma muralha,
Uma fortaleza frente uma invasão sentimental,
Para ser um pecador e não se arrepender
Que será salvo por cada maçã que morder!
Só não falei dos ventos... Que mudam de direção!
Que a caça tem seu dia.
De feitiço contra feiticeiro,
De um dia atrás do outro,
Que a armadilha pega os desavisados
E o descuidado do avisado também!
Só não falei pra mim que,
O vírus da paixão, não reconhece um vacinado,
Segredo de ninguém!
Pachelly Jamacaru
........................
O QUE DE CERTO CADA UM TEM!
O rio tem um romantismo que lhe é próprio,
E que o mar não tem, as montanhas não tem,
As pradarias não, o deserto não.
A estar no mar, estou a dizer;
O mar, tem o sal da vida que o rio não tem,
As montanhas não, as pradarias , o deserto...
A estar nas montanhas estou a dizer;
As montanhas têm uma paz de espírito que lhe é própria,
E, que só ela tem.
Nas pradarias, estou a dizer;
As pradarias têm o que tem, que o rio não,
As montanhas não, o mar e o deserto não têm!
A estar no deserto, falo de solidão...
A estar com Clarice, penso no que Alice não,
Maria sim, Helena talvez, Ana Bela de quando em vez...
Procuro em cada uma,
Um rio, um mar, as montanhas, as pradarias e o deserto,
Que de certo cada um tem!
Pachelly Jamacaru
...........................
NUNCA, JAMAIS...
Se a rede de arrasto não trouxer o alimento,
Se o canto não se faz ouvir,
Se o cavalo selvagem se opuser a montaria,
Se por um momento, o sonho não acontecer
Se contudo, tudo te deixa cabisbaixo e mudo,
Lembre-se ainda, o silêncio quer ouvir você.
Do contrario,
Não finja não ser com você,
Se a felicidade lhe piscar o olho!
Jogue outra vez a rede,
Dome o cavalo,
Alimente o sonho, cante outra vez.
Faça do nada, tudo acontecer!
Mas nunca, jamais diga que a vida é feia,
Só porque não está bela pra você!
Pachelly Jamacaru
..............................
ARTEIRO,
O homem-poeta, é feito menino!
Traquino dana-se pelas ruas,
Fazendo artes...
Aqui e acolá, apronta uma...
Ou, outra; poesia!
O poeta,
É feito um homem feito menino arteiro!
Pachelly Jamacaru
.................................
O PEQUÍ
Certa vez, ninguém disse assim...
Certa vez de ninguém se ouviu o dizer...
“O Pequi, não mata a fome”,
A fome, “é que se mata diante dele”.
Palavras da salvação!
Bendito és o fruto que és,
Aonde a pé se vai aos pés,
Quando ainda a flor bela nas alturas,
Em romarias as abelhas vão...
Quando se quer dar,
Quedas ao chão,
E aí, vão os homens em procissão!
De dezembro a fevereiro,
Quando reboam os trovões
E o céu desce a terra espargindo o aguaceiro,
Dá gosto ver na floresta,
Teresa e outros nomes brejeiros
Que ora me fogem a lembrança,
Na maior lambuzança, de colheita em festa!
Não é do rico, nem do pobre,
O que é para o rico, é para o pobre!
Oh! Fruto da concórdia que vergas os teus galhos
Indiferente ao credo de quem te aprecia!
Na Baixa-rasa eneblinada, oração e aboio...
Ides pois, oh, verdinho, aromatizai a mesa dos justos,
Abundantes sejam pequis que rôo!
Pachelly Jamacaru
..........................................
RIOS, IMAGINÁRIOS RIOS...
Pedras de rios,
Por um rio me apaixonei,
Por rios me deixei levar!
Com que sonha um rio?
Encontrar um mar que for
Eu me fiz de um
Em busca de um mar de amor!
Rios navegáveis, imaginários,
N’águas passadas mundo desaguou.
Rio de mim mesmo,
da verdade do que sou.
Ame o rio e por ele se deixe banhar,
Lave a alma,
Roupa suja, não se lavar por lá!
De onde nasce até aonde o homem o deixa ir,
Quando segredo guarda um rio do seu existir!
Um rio que o homem mate,
Quando der por falta, tarde será,
Há rios rasos, outros pra se aprofundar!
Mas há um rio além,
Se você acredita que há,
Na outra margem peixes anjos a nadar,
Cante o rio e por ele se deixe levar...
Pachelly Jamacaru
.............................................
INSÔNIA.
A madrugada acordou em mim.
Meus olhos, ping-pongueiam de um lado para o outro.
Seria ânsia, idade?
Galos, oh! Desorientados pavoroteiam,
Irrompendo o silêncio com suas óperas!
Porque não há relógios nas paredes do céu?
Hoje, as carruagens de fogo não cruzaram o fundo do mar!
As fadas não colheram cajus em meu quintal!
A Gisele não tocou a campanhia, com isso,
Não rubriquei os lençóis em devaneios Domjuânicos.
A madrugada acordou em mim e,
O pesadelo fora de aviões bombardeando
Os subterrâneos da minha alma!
Autoretrateio-me, sob a luz azul da lua do criador
E a amarelo queimado de um lampião Rayo-Vac,
Da indústria moderna dos homens!
Na fotografia entre paredes e grades não reclamo
Da liberdade, da minha sugestiva nudez, estou puro!
Minha cama pegou no sono e dorme na minha ausência!
São 2.40hs Am, de um dia qualquer no calendário cristão.
É incrível como a noite escreve poemas... e, os poetas assinam!
Pachelly Jamacaru
.......................................
PRIMA FAUNA MANA FLORA
Javali de cerâmica com olhos de paetês
Numa arte industrial, explícito, cômodo de ver!
Meu pai caçador, Mal transmortal,
Volta pra casa com o animal abatido
E eu já não tenho porque,
Eu já não vejo por que
Nas férias ir ao Pantanal,
Dói-me n’alma cantar a fauna morta,
Imagine, quando um cartão postal!
Samambaia de plástico, nem arte, nem viver!
Triste é cultivar o que não se agôa!
Oh mãe das mães, ó mãe, ó mãe!
Guardai os filhos de hoje de um futuro imbecil
Regai com luz o Brasil,
Os florais trópicos em tempo hábil,
Para que vinguem as sementes,
Pra que nunca de nós a natureza se ausente!
Oh fauna, oh fauna,
Oh flora, oh flora,
Por ti o globo chora
Ante o avanço irracional.
Pachelly Jamacaru
"MUSICADA"
.................................
MACATU MMIV d.c
Não seja tarde perceber
Não ser brincadeira não
O planeta tem resposta
Pra cada provocação.
O paradoxo da inteligência
É o excesso de sabedoria
É saber demais
Mas, não saber o que devia.
Pagamos pela gana
Por idolatria ao viu Q.I.
Por tudo mais a mais que tudo
Temos ou não direito a ir vir
Até quando?
Porque ser assim?
A pergunta que não cala em mim.
Porque ser assim?
Até quando?
Meu menor quer saber de mim.
Sob o prisma da modernidade
Um mundo cão é vivido
O homem hostil, beligerante,
Quer vê-lo destruído
A insustentável leveza do poder
Cria um mundo de submundos
Como ser feliz se o homem não quer
O homem não quis.
O espaço aéreo é patrulhado
O mar aberto é controlado
As fronteiras entrincheiradas
Somos ou não cidadãos do mundo?
Tanta ciência, tanta cultura,
Tanta tecnologia,
Muita crença, filosofia,
Para o mundo da no que dá
Para o mundo ta no que ta!
Pacelly Jamacaru
"Musicada"
........................
MUDANÇA
Foi que acordei mais cedo
E resolvi mudar o mundo.
De cara, esvaziei o velho armário do ego,
Abarrotado de ledos sonhos...
Como o de esperar
Que as coisas mudem por si
A vida em si tudo em volta, a história,
Sem que eu não!
Foi preciso me desconhecer
Não me reconhecer para me re-procurar!
Tantas são as coisas simples ao nosso redor
E a gente fica a pegar foguetes
Como se lá em cima
Onde os sonhos não alcançam
Estivessem, todos e tudo que aqui em baixo está!
Por baixo, mas,dando volta por cima!
Pachelly Jamacaru
"musicada"
..............................
PEDRO E PAULO
Dois meninos
Jogavam bola com a bola do mundo,
Dois meninos,
Jogados na bola do mundo.
Um era Pedro,
O outro seu nome era Paulo.
Pedro e Paulo
Chutavam tampas coloridas
E entre tantas, as tampas eram suas vidas,
Jogadas na jogada do mundo.
No País da cerveja e do futebol,
Jogam meninos às ruas,
Vidas, tampas, latas de Skoll!
Pachelly jamacaru
"Musicada"
.............................
LUA, LUA.
Lua, lua
Um foguete por aí vai passar
A cruzar o espaço
Movido à dor do mundo
O infinito tentará
Branca lua
Não o deixe em ti pousar
Que imundo é o seu combustível
E atua roupinha branca lua,
Branca não ficará!
Pachelly Jamacaru
"Musicada"
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